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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Sagrado ou Profano

Perdeu-se o conceito de Sagrado e Profano.
Infelizmente o zelo excessivo da religiosidade e do tradicionalismo generalizado, que é bem explanado por extremismo, vivido durante toda a história das religiões foram continuamente maléficos para a coerência da sociedade.
Na prática tudo isso nada tem a ver com a proposta inicial da religião que em sua essência viabilizaria a religação do ser humano com o divino, e em sintonia com o criador transforma o ser humano em alguém melhor. Mas negando sua forma primária o que vemos durante toda a história inter-religiosa é uma má interpretação desta imagem, que é convertida no triste quadro de pessoas se intitulando superiores as outras por pertencerem a religiões diferentes ou por não pertencerem a religiões.
Na íntegra os reflexos da religiosidade deveriam ser vistos diretamente no tratar com o próximo, seja ele quem for, pertença ou não a um grupo religioso, se tenho em mente o conceito de que devo amar ao próximo, é isso que devo fazer e sem acepção de pessoas. Hoje vemos, claramente, um repudio ou duelo de religiosos com os homossexuais, por exemplo. Os religiosos que tem a oportunidade de mostrar na prática o amor que pregam, insistem em apontar, criticar, acusar e condenar, e utilizam o seguinte jargão: “não sou eu, é a bíblia quem os condena”. Se a bíblia os condena, onde é que confere a nós o dever de exercer ou aplicar a pena ou sansão? Porque é isto que fazemos quando os marginalizamos ao invés de trazê-los para próximo de nós e amá-los incondicionalmente.
Digo isto, pois, o dever da religião é religar, e nunca foi desligar! Simples! Se há alguma pena destinada a alguém não cabe a nenhum de nós aplicá-la e pronto! O que aprendemos é que devemos Amar! Isso sim é bem claro e objetivo!
Digo também, porque o extremismo religioso cega os seus adeptos, impedindo-os de enxergar que a sacralidade real se expressa no próximo!  Nada é mais sacro que o próximo! Por isso não se explica, de maneira nenhuma, “guerras santas”, ou segregação religiosa. O religioso de fato é aquele que agrega e não segrega!  O que ama; nunca o que odeia!  O Amor ao Próximo é a religião de fato¹! Longe disso não há religião!
            Os extremistas sacralizam o templo, as roupas, os objetos, mas nunca as pessoas, perdendo totalmente o sentido da religião!  Esses são os mesmos que matam pessoas por coisas ou conceitos, se não matam fisicamente, matam moralmente ou socialmente fazendo com que o grupo os marginalize.

            Não são as coisas que são sacras e sim as pessoas², são a coroa da criação, a imagem e semelhança do Criador!  Qualquer coisa é profana quando comparada com uma pessoa, seja ela pertencente a qualquer religião, raça, sexo, etnia, classe social ou até mesmo opção sexual.
            Digo isso sendo religioso e conservador, mas pensador.


 -Vinicius Freitas
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²Marcos 2:27

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